Os Torneios do Pires
OOOOH OPP OOOOH OPP OOOOH OPP...
Este era o momento mágico da noite…
Um minuto em que toda a plateia em voz alta acompanhava a cadência com que o Alfredo na imponência dos seus cento e muitos quilos subia as escadas que o levavam á mesa de controlo dos jogos acompanhado dos delegados da equipa.
O desafio foi lançado e eu aqui estou a falar no Torneio do Pires.
O meu primeiro torneio foi pelo menos á 17 anos...
...fazendo parte da Equipa do Queluzense, uma equipa recheada com os melhores craques residentes nos arredores da velha praça de Queluz, por onde passaram alguns nomes sonantes como o Pimentinha, João (pencas), Valdemar, Paulo Brito, Orlando, Hermínio obviamente eu …. entre outros.
Se numa pequena equipa de bairro os nomes sonantes eram muitos, num torneio de renome como o do Pires foram também algumas as vedetas do futebol e de outras modalidades que por lá passaram. Lembro-me do Rui Palhares, velha glória do Boavista e do Sporting; Azevedo a vedeta do Correio da Manhã nos primórdios do futebol de salão, e para finalizar o Nuno do Andebol, guarda-redes do Sporting, Belenenses, Setúbal, ABC, etc…
A minha memória por vezes já me atraiçoa, mas penso que o torneio se iniciava por meados de Junho e entrava por Julho a dentro. Lembro-me que ainda existiam aulas no liceu.
Se não estou em erro chegou a existir uns anos em que o torneio tinha duas épocas uma em Junho/ Julho e outra em Setembro.
Nos tempos em que não existiam praticamente computadores pessoais, não existia TV por cabo nem Internet, que melhor para fazer numa noite de verão senão dar um pulinho ao ringue do Queluz e assistir a uns joguinhos.
Excelentes espectáculos de futebol e por vezes outros menos dignos que não o futebol, grandes assistências com umas “gaijas” interessantes a assistir (por norma eram namoradas ou mulheres dos jogadores) e uma entrada baratinha (não sei quanto) eram os principais atractivos que faziam do Torneio do Pires o principal destino da noite do pessoal da época.
Mesmo com os bilhetes baratinhos sempre se ouviam histórias de pessoal que dava a volta ao porteiro e que saltava o muro… Era estar a dar cabo de um negócio de praticamente familiar…
Pai Pires – Organizador
Filho Miro – Treinador; Arbitro; Portas; empregado do bar
Esposa Pires - Empregado de bar
Filha Pires - Empregado de bar
Alfredo – Portas; Controlador de Mesa
Coxo – Portas
Era frequente no torneio encontrar amigos como adversários, Jaime, Júlio, Hélder, Piga, Carlitos, o saudoso Ta-Xana e outros…….
Jozel foi o outra equipa pela qual participei no torneio, e cujo patrocinador o famoso Oculista Jozel dava o nome á equipa.
Outras existiam que faziam jus ao nome dos patrocinadores, Armazéns 115, Tailândia, Retiro de Queluz, etc.
Os jogos eram arbitrados para além do Miro, por 2 ou 3 senhores muito parecidos, baixos, de bigode… (um deles vejo-o com frequência nos jogos do Sporting) e com qualidade duvidosa.
Os jogos por vezes eram difíceis de arbitrar nomeadamente aqueles em que participavam equipas com elementos do famoso “bairro da caixa” com o ambiente exterior muito enublado, pesado e pressionante.
Quando as coisas não corriam bem geravam-se grandes discussões o que se traduzia muitas vezes em retenções prolongadas nos balneários, cenas de garrafas pelo ar, socos e pontapés.
No outro dia lá ouvíamos a história:
"O Miro levou nos cornos…."
Ou por ter sido ele o árbitro ou por se ter metido como “organizador” na confusão gerada….
Contrariamente ao que poderiam pensar, não tenho muitas história para contar.
Nunca assisti a cenas mais quentes e para além de algumas boas exibições que me capultaram para a ribalta do futebol de salão, poucos casos pessoais tive de registo.
Apenas me lembro de um episódio com um famosa equipa da policia que apareceu num desses torneios:
-"Peguei-me com um policia"
O habitual guarda-redes que naquele jogo jogou á frente… se se lembram dele era pequenino e enfezadinho, 1,80 mt. e na certa mais de 80 kg.
Felizmente para mim as coisas não chegaram a vias de facto e penso que acabei por ser expulso.
No entanto apesar do fraco conteúdo de histórias bizarras está lançado o mote para mais um flash-back e estou certo que bacuristas como o Orlando e Sapinho, entre outros, terão histórias fascinantes para nos contar e fazer recordar.
Um abraço
PS. Acabei este texto a ouvir uma noticia na SIC Notícias que por certo nos trará mais algumas recordações e poderá ser tema para debate….
A noticia diz que foi lançado um DVD com 20 episódios da mítica série “Verão Azul”….
Que acham recordar um pouca da televisão da nossa infância?
Pinigool
Este era o momento mágico da noite…
Um minuto em que toda a plateia em voz alta acompanhava a cadência com que o Alfredo na imponência dos seus cento e muitos quilos subia as escadas que o levavam á mesa de controlo dos jogos acompanhado dos delegados da equipa.
O desafio foi lançado e eu aqui estou a falar no Torneio do Pires.
O meu primeiro torneio foi pelo menos á 17 anos...
...fazendo parte da Equipa do Queluzense, uma equipa recheada com os melhores craques residentes nos arredores da velha praça de Queluz, por onde passaram alguns nomes sonantes como o Pimentinha, João (pencas), Valdemar, Paulo Brito, Orlando, Hermínio obviamente eu …. entre outros.
Se numa pequena equipa de bairro os nomes sonantes eram muitos, num torneio de renome como o do Pires foram também algumas as vedetas do futebol e de outras modalidades que por lá passaram. Lembro-me do Rui Palhares, velha glória do Boavista e do Sporting; Azevedo a vedeta do Correio da Manhã nos primórdios do futebol de salão, e para finalizar o Nuno do Andebol, guarda-redes do Sporting, Belenenses, Setúbal, ABC, etc…
A minha memória por vezes já me atraiçoa, mas penso que o torneio se iniciava por meados de Junho e entrava por Julho a dentro. Lembro-me que ainda existiam aulas no liceu.
Se não estou em erro chegou a existir uns anos em que o torneio tinha duas épocas uma em Junho/ Julho e outra em Setembro.
Nos tempos em que não existiam praticamente computadores pessoais, não existia TV por cabo nem Internet, que melhor para fazer numa noite de verão senão dar um pulinho ao ringue do Queluz e assistir a uns joguinhos.
Excelentes espectáculos de futebol e por vezes outros menos dignos que não o futebol, grandes assistências com umas “gaijas” interessantes a assistir (por norma eram namoradas ou mulheres dos jogadores) e uma entrada baratinha (não sei quanto) eram os principais atractivos que faziam do Torneio do Pires o principal destino da noite do pessoal da época.
Mesmo com os bilhetes baratinhos sempre se ouviam histórias de pessoal que dava a volta ao porteiro e que saltava o muro… Era estar a dar cabo de um negócio de praticamente familiar…
Pai Pires – Organizador
Filho Miro – Treinador; Arbitro; Portas; empregado do bar
Esposa Pires - Empregado de bar
Filha Pires - Empregado de bar
Alfredo – Portas; Controlador de Mesa
Coxo – Portas
Era frequente no torneio encontrar amigos como adversários, Jaime, Júlio, Hélder, Piga, Carlitos, o saudoso Ta-Xana e outros…….
Jozel foi o outra equipa pela qual participei no torneio, e cujo patrocinador o famoso Oculista Jozel dava o nome á equipa.
Outras existiam que faziam jus ao nome dos patrocinadores, Armazéns 115, Tailândia, Retiro de Queluz, etc.
Os jogos eram arbitrados para além do Miro, por 2 ou 3 senhores muito parecidos, baixos, de bigode… (um deles vejo-o com frequência nos jogos do Sporting) e com qualidade duvidosa.
Os jogos por vezes eram difíceis de arbitrar nomeadamente aqueles em que participavam equipas com elementos do famoso “bairro da caixa” com o ambiente exterior muito enublado, pesado e pressionante.
Quando as coisas não corriam bem geravam-se grandes discussões o que se traduzia muitas vezes em retenções prolongadas nos balneários, cenas de garrafas pelo ar, socos e pontapés.
No outro dia lá ouvíamos a história:
"O Miro levou nos cornos…."
Ou por ter sido ele o árbitro ou por se ter metido como “organizador” na confusão gerada….
Contrariamente ao que poderiam pensar, não tenho muitas história para contar.
Nunca assisti a cenas mais quentes e para além de algumas boas exibições que me capultaram para a ribalta do futebol de salão, poucos casos pessoais tive de registo.
Apenas me lembro de um episódio com um famosa equipa da policia que apareceu num desses torneios:
-"Peguei-me com um policia"
O habitual guarda-redes que naquele jogo jogou á frente… se se lembram dele era pequenino e enfezadinho, 1,80 mt. e na certa mais de 80 kg.
Felizmente para mim as coisas não chegaram a vias de facto e penso que acabei por ser expulso.
No entanto apesar do fraco conteúdo de histórias bizarras está lançado o mote para mais um flash-back e estou certo que bacuristas como o Orlando e Sapinho, entre outros, terão histórias fascinantes para nos contar e fazer recordar.
Um abraço
PS. Acabei este texto a ouvir uma noticia na SIC Notícias que por certo nos trará mais algumas recordações e poderá ser tema para debate….
A noticia diz que foi lançado um DVD com 20 episódios da mítica série “Verão Azul”….
Que acham recordar um pouca da televisão da nossa infância?
Pinigool

6 Comments:
Grande Pinigol.
Sobre os torneios do Pires, confesso que ia para lá com dois objectivos primordiais.
Vêr os amigos jogar, e principalmente ver as caldeiradas que frequentemente aconteciam.
Lembro que eram 4 jogos por noite, das 8 até ás 11.00, a hora que começava o ultimo jogo, e que normalmente marcava a debandada da maioria dos espectadores.
Os jogos de maior importancia e mais quentinhos aconteciam ás 09.00 e ás 10.00.
´
Confirmo algumas grandes exibições do Pinigol, e da rivalidade que ali nasceu com o Orlando.
Eu era daqueles que estragava o negócio á familia...
... e fico a saber que vem de á longa data a relação dos maus arbitros com o clube de Alvalade!!!
Há meia duzia de situações que recordo com um sorriso.
* A Radio Clube de Queluz, que tinha um enviado especial para o torneio, e que no dia seguinte aos jogos, fazia uma breve analise e transmitia os resultados - Recordo uma situação em que o tal "jornalista desportivo" se engrozelhou todo a dizer o nome da equipa da Quel...da...ai...Auto.Qu..ai perdão...da Auto Queluz Garagem.
*A equipa do bairro da Caixa....com nomes que ficaram, p.e. o Gaiolas.
*A postura estilo José Pratas que a maior parte dos árbitros mantinham.
*O Sr. Sousa que em defesa dos filhos quase saltava para o ringue.
* O "Boca" a cumprimentar o pessoal todo que estava a assistir aos jogos (que bem disposto estava ele nessa noite). Já ninguém via o jogo...ele era o centro das atenções.
Abraços
Giovanni
Ainda que não mandatado, venho transmitir uma mensagem do Orlando relativamente á equipa Queluzense.
Diz ele que o guarda redes titular durante o torneio foi ele, e o Zé Fonseca , o seu suplente.
Esta situação terá acontecido antes de o Zé realizar as tais exibições que o catapultaram para a ribalta do futebol salão.
O seu a seu dono
Mai nada!!!
As memorias que tenho do torneio do Pires, não me remetem muito para os Jogos em si mas mais para as pessoas que neles participaram, para quem comigo assistia e para o ambiente que apelido de "pitoresco".
Recordo que a entrada era sempre um "pagode", a forma como contornavamos a Bilheteira, em forma de mesa e cadeira colocadas no meio de um largo descampado, 1 pagava o Bilhete 10 pasavam ao largo da mesa. Marcava encontro com o Carlos Pagou e com o João Nuno, foi lá que contactei pela 1ª vez com o embriao dos Vomito, recordo a subida temeraria ao varandim daquela figura de raro porte.
Assisti ao inicio de uma refrega que acabou aos tiros e uma fuga a acabar na Policia. Um jogador muito conhecido da praça ( acho que era "Bertaso") sair no balneario de toalhinha à cintura e aviar 2 peras no primeiro fregues que estava à porta. As agressôes ao Miro. O Pai Manuel Sousa era realmente imponente e autoritario, aquilo metia respeito.
Mas acima de tudo, volto ao mesmo, o melhor de tudo era o "combibio", foi lá que fiz panelinha para o inicio do namoro entre o China e as Lia, o Pagou na altura namorava uma Susana que se fazia acompanhar pelos Pais e iam em caravana ver o Torneio, Eu amparava o Pagou nos seus acessos mais Barbaros " Dééééébil!".
Em finais de Setembro de 1987, O Joao Nuno convence-me a comprar um Bilhete que tinha a mais para o Ney Matogrosso no Coliseu o Espectaculo era a 4 de Outubro, foi adquirido para um tal Ze Vilao mas como fazia anos nesse dia, acabou por desistir, assim comprei o Bilhete. Mais uma vez depois do concerto lá fomos beber uns copos à Trindade acabei Eu mais Ele a puxar uma grande carroça, à porta da Estação do Rossia compramos Castanhas a um gajo meio "apaneleirado", tiramos o peso naqulas balanças que dão um cartãozinho com a Foto de Estrelas de Cinema, a mim saiu-me o Marcelo Mastroiani pesava 58 Kg a Ele saiu a Sofia Loren pesava 86 Kg, guardo ainda O Bilhete do Ney e o Talão da Balança,no Comboio fui-me metendo com as gajas que me davam troco e Ele ia pedindo desculpa pelo meu comportamento, outras vezes foi ao contrario. Levou-me a casa às 4 da manhã. Seria a nossa ultima Noitada , a ultima bebedeira e o ultimo concerto.
Tal como tinha dito no post sobre o Serra since 1984, o importante eram as pessoas com que estava, quando li este post a primeira memoria que me assaltou foi esta, talvez não seja este o espirito , mas ao escrever estas linhas e sem querer ser lamecha, sinto-me triste, há lugares que são nossos, o Torneio do Pires era o meu ponto de encontro noturno com o Nuno durante o Verão
Eram umas noites bem passadas aquelas, no mitico ringue do Queluz. Coitada da sra. que lá morava e que tomava conta do ringue.Aturar aquilo durante apóximadamente 1 mês não era fácil.Eu fazia parte da equipa que saltava o muro e rápidamente aparecia sentado nas bancadas, como se nada fosse.O dinheiro que se poupava na entrada ajudava para a bela Mini e o pacotinho de amendoins salgados. Era uma diversão ver os jogos e rir à gargalhada com os muitos "cromos" que por lá apareciam (uns no campo, outros nas bancadas).Às vezes vejo o pai Pires e a mulher a caminho de uma das igrejas da 9 de Abril.Esta devoção religiosa deve ser um reconhecimento a Deus por não terem perdido o(rico)filho numa das várias "batalhas" que aconteciam nos torneios.Se fosse hoje,algumas das arbitragens do Miro podiam levar a crêr que existia por ali negócios de "fruta". Será que havia?! Pelo menos pêros havia à fartazana.
... e com este plantel
na baliza: Fonseca, Abilio, Orlando e Bento (venha o diabo e escolha 2)
Jogadores de campo:
Pedro Oliveira, Lineu, Quim Zé, Pupu, Ribeirinho, Mané, Fão, jaime, Miguel Oliveira, Abel, Luis Nuno, João leitão e mais os reforços.
Era equipa para ganhar o torneio?
Porque não.
Seria bonito. Vêr o pessoal a fazer a mala para jogar no mítico ringue do complexo desportivo do Queluz Square Garden, e encontrar as bancadas novamente repletas de pessoas em apoio à nobre equipa representativa de Queluz.
Seria como em vale de lobos...
Eu ía lá...
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