...o meu "nome" é:
- Sou eu… O Tiago.
- Quem?
- O Tiago Fernandes.
- Tiago Fernandes?
- Sim, o Tiago da tua turma.
- Da minha turma? não sei quem é...
- … o Gordo…
- Ah, o Gordo!!!
São mais ou menos estas as palavras que actualmente correm num anúncio de televisão, que pretende chamar a atenção para os problemas da obesidade infantil.
Para além de chamar a atenção para este problema da adolescência que agora é comum ouvirmos falar, mas que à uns anos nem se sabia o que era na nossa idade, chamou-me a atenção para a alcunha do miúdo:
O “Gordo”…
Lembrei-me logo dos “Gordos” que a malta tinha em miúdos. Dos Gordos, e de todos os outros…
Alcunhas que “carinhosamente” fomos colocando uns aos outros, e que muitas delas perduram até hoje…
Algumas são verdadeiras obras de arte, e ficam-lhes tão bem, que muita gente nem lhes conhece o verdadeiro nome...
Senão vejamos verdadeiros casos de sucesso:
Comecemos pelos “Gordos”
Toda a gente tem um amigo com a alcunha de “Gordo”. Nós também temos!!! Mas, como somos da geração do “Verão Azul”, o “Gordo” passou a ser apelidado de “Pi”, diminutivo em homenagem ao “anafado” “Piranha” da referida série.
Não fizemos por menos, e que me lembre temos três representantes:
O “Pi Nicolau”, ou “Gordo”, o “Pi da 9 de Abril”, originalmente conhecido por “Magrinho”, que quando se tornou “Pi” adoptou a designação da nobre rua, e ainda o “Pi do Renault 19”, está-se mesmo a ver porquê… que qualquer dia ainda vai ser o “Pi do Volvo”…
Também existe em cada grupo de amigos pelo menos um careca.
Também temos um… que por acaso até devia passar o testemunho… há em quem assente bem melhor que no careca, mas nestas coisas de alcunhas, ou se a tem até aos 15 anos, ou já não pega, salvo raras excepções.
E porque falamos de cabelo (ou falta dele), também há sempre um russo. Coube-me essa honra, embora não seja daquelas que substituem o nome, de vez em quando ainda me chamam assim.
Também há sempre alguém a quem chamam “canina”.
Bem, nós não somos gigantes, mas “caninas”… só o da 9 de Abril (mais uma vez), e o da Fonte, que também é “puto” ou “miúdo”.
Claro que conhecemos outros “caninas”, mas já são “afastados”.
Quando o tamanho é a forma escolhida para colocar alcunhas, pode não ser só a altura, mas o tamanho de qualquer coisa (isto aqui dava pano para mangas…), e a cabeça é uma delas…
Surge logo alguém alcunhado de “Cabeçudo”.
Temos um!!! “cabeçudo” que evoluiu de “cabeça de giz” em honra a um gorro branco que o rapaz tinha em miúdo… imagine-se o que foi dar um inofensivo gorro…
Depois surge a classe daqueles que foram associados aos animais. Aqui o NAB parece uma selva…
À cabeça por ordem de antiguidade temos o “Bode”.
Era-o desde os tempos do ciclo, nunca ninguém explicou o porquê desta alcunha, mas ficou desde sempre. Já o conheci como “Bode”, mas dado a sua antiguidade, passou a ser também “Velho”. Não “Bode velho”, apenas “Bode” ou “Velho”.
Depois há o “sapo”. É, e sempre será o “sapo”. Começou a sê-lo devido ás suas defesas milagrosas, e agora, mesmo deixando a posição de numero 1 continua o “Sapo”, ou o “sapinho” para os amigos…
Vem ainda o “Formiga” que herdou a alcunha do pai. Era o pai Formiga, passou a ser o filho formiga.
Segue-se o “Pato”. Agarrou a alcunha graças ao Ribeirinho. Foi nos tempos da marinha que começou a ser conhecido por “pato”, deixando para trás a alcunha original de “rebimbas” colocada pelo pessoal da sua rua. Nos dias que correm, temos o Pato pai, a Pata mãe, e agora uma patinha pequenina muito linda!!!
Depois vêm as alcunhas derivadas da maneira de ser de cada um.
O “Risonho”, que com a internacionalização passou a ser o “Smile”. È a pessoa que conheço a quem puseram mais alcunhas. Era o “risonho”, o “smile”, o “butcher”, o naybet”, nunca mais paravam…
Aparece depois o “mintiroso” (é assim que se pronuncia), está mesmo a ver-se porquê…
Há ainda alguns que ficaram alcunhados por situações passadas na sua vida.
O “morto” é uma delas. A sua origem perde-se no tempo e numa série de estórias (as suas olheiras permanentes, a pêra que deu no “vivo”, e ainda consta que há para aí uma funerária metida pelo meio…).
O “baixo” devido ao instrumento que tocava.
O “Heavy”, passou por ser um gajo da pesada... um gajo chamado “heavy” tem logo um ar ameaçador, mesmo que não faça mal a uma mosca, e é sinónimo de status…
Há tantas que valia a pena referir:
O “samurai”, o “china”, o “tamboril”, o “pica”, o “andorinha”, o “chalana”, o “Boca” entre outras… mesmo as que eram colocadas à socapa e nunca pegaram. Tantas que muitas delas nem me chegam rapidamente à memória e que deixo para acrescentarem...
Guardei para ultimo a referencia á que considero a maior alcunha de todos os tempos…
Ele era miúdo, cabelos grandes encaracolados que raramente deviam ver a escova, a falta de água também não ajudava, e o resultado era uma “trunfa” toda enleada a pedir que baptizassem o seu dono como…
“Entulho”.
São estas algumas das belas alcunhas que todos os dias usamos para chamar os nossos amigos...
Como disse inicialmente, a muitos deles nem se conhece o verdadeiro nome, mas também já não importa… diria mesmo que no bilhete de identidade devia haver um campo para preencher com a alcunha…
Um grande abraço aos “gordos” da nossa praça…
- Quem?
- O Tiago Fernandes.
- Tiago Fernandes?
- Sim, o Tiago da tua turma.
- Da minha turma? não sei quem é...
- … o Gordo…
- Ah, o Gordo!!!
São mais ou menos estas as palavras que actualmente correm num anúncio de televisão, que pretende chamar a atenção para os problemas da obesidade infantil.
Para além de chamar a atenção para este problema da adolescência que agora é comum ouvirmos falar, mas que à uns anos nem se sabia o que era na nossa idade, chamou-me a atenção para a alcunha do miúdo:
O “Gordo”…
Lembrei-me logo dos “Gordos” que a malta tinha em miúdos. Dos Gordos, e de todos os outros…
Alcunhas que “carinhosamente” fomos colocando uns aos outros, e que muitas delas perduram até hoje…
Algumas são verdadeiras obras de arte, e ficam-lhes tão bem, que muita gente nem lhes conhece o verdadeiro nome...
Senão vejamos verdadeiros casos de sucesso:
Comecemos pelos “Gordos”
Toda a gente tem um amigo com a alcunha de “Gordo”. Nós também temos!!! Mas, como somos da geração do “Verão Azul”, o “Gordo” passou a ser apelidado de “Pi”, diminutivo em homenagem ao “anafado” “Piranha” da referida série.
Não fizemos por menos, e que me lembre temos três representantes:
O “Pi Nicolau”, ou “Gordo”, o “Pi da 9 de Abril”, originalmente conhecido por “Magrinho”, que quando se tornou “Pi” adoptou a designação da nobre rua, e ainda o “Pi do Renault 19”, está-se mesmo a ver porquê… que qualquer dia ainda vai ser o “Pi do Volvo”…
Também existe em cada grupo de amigos pelo menos um careca.
Também temos um… que por acaso até devia passar o testemunho… há em quem assente bem melhor que no careca, mas nestas coisas de alcunhas, ou se a tem até aos 15 anos, ou já não pega, salvo raras excepções.
E porque falamos de cabelo (ou falta dele), também há sempre um russo. Coube-me essa honra, embora não seja daquelas que substituem o nome, de vez em quando ainda me chamam assim.
Também há sempre alguém a quem chamam “canina”.
Bem, nós não somos gigantes, mas “caninas”… só o da 9 de Abril (mais uma vez), e o da Fonte, que também é “puto” ou “miúdo”.
Claro que conhecemos outros “caninas”, mas já são “afastados”.
Quando o tamanho é a forma escolhida para colocar alcunhas, pode não ser só a altura, mas o tamanho de qualquer coisa (isto aqui dava pano para mangas…), e a cabeça é uma delas…
Surge logo alguém alcunhado de “Cabeçudo”.
Temos um!!! “cabeçudo” que evoluiu de “cabeça de giz” em honra a um gorro branco que o rapaz tinha em miúdo… imagine-se o que foi dar um inofensivo gorro…
Depois surge a classe daqueles que foram associados aos animais. Aqui o NAB parece uma selva…
À cabeça por ordem de antiguidade temos o “Bode”.
Era-o desde os tempos do ciclo, nunca ninguém explicou o porquê desta alcunha, mas ficou desde sempre. Já o conheci como “Bode”, mas dado a sua antiguidade, passou a ser também “Velho”. Não “Bode velho”, apenas “Bode” ou “Velho”.
Depois há o “sapo”. É, e sempre será o “sapo”. Começou a sê-lo devido ás suas defesas milagrosas, e agora, mesmo deixando a posição de numero 1 continua o “Sapo”, ou o “sapinho” para os amigos…
Vem ainda o “Formiga” que herdou a alcunha do pai. Era o pai Formiga, passou a ser o filho formiga.
Segue-se o “Pato”. Agarrou a alcunha graças ao Ribeirinho. Foi nos tempos da marinha que começou a ser conhecido por “pato”, deixando para trás a alcunha original de “rebimbas” colocada pelo pessoal da sua rua. Nos dias que correm, temos o Pato pai, a Pata mãe, e agora uma patinha pequenina muito linda!!!
Depois vêm as alcunhas derivadas da maneira de ser de cada um.
O “Risonho”, que com a internacionalização passou a ser o “Smile”. È a pessoa que conheço a quem puseram mais alcunhas. Era o “risonho”, o “smile”, o “butcher”, o naybet”, nunca mais paravam…
Aparece depois o “mintiroso” (é assim que se pronuncia), está mesmo a ver-se porquê…
Há ainda alguns que ficaram alcunhados por situações passadas na sua vida.
O “morto” é uma delas. A sua origem perde-se no tempo e numa série de estórias (as suas olheiras permanentes, a pêra que deu no “vivo”, e ainda consta que há para aí uma funerária metida pelo meio…).
O “baixo” devido ao instrumento que tocava.
O “Heavy”, passou por ser um gajo da pesada... um gajo chamado “heavy” tem logo um ar ameaçador, mesmo que não faça mal a uma mosca, e é sinónimo de status…
Há tantas que valia a pena referir:
O “samurai”, o “china”, o “tamboril”, o “pica”, o “andorinha”, o “chalana”, o “Boca” entre outras… mesmo as que eram colocadas à socapa e nunca pegaram. Tantas que muitas delas nem me chegam rapidamente à memória e que deixo para acrescentarem...
Guardei para ultimo a referencia á que considero a maior alcunha de todos os tempos…
Ele era miúdo, cabelos grandes encaracolados que raramente deviam ver a escova, a falta de água também não ajudava, e o resultado era uma “trunfa” toda enleada a pedir que baptizassem o seu dono como…
“Entulho”.
São estas algumas das belas alcunhas que todos os dias usamos para chamar os nossos amigos...
Como disse inicialmente, a muitos deles nem se conhece o verdadeiro nome, mas também já não importa… diria mesmo que no bilhete de identidade devia haver um campo para preencher com a alcunha…
Um grande abraço aos “gordos” da nossa praça…

9 Comments:
Bonito texto, ao qual acrescento mais duas alcunhas: O Vitor Peixeiro (infelizmente já não está presente entre nós), que adquiriu a alcunha devido à sua mãe ser uma ilustre peixeira no Mercado de Queluz.E o Xangai, essa grande figura,que ostentava esse "nome" devido aos seus traços orientais. É interessante verificar, que tal como os "Pis", as alcunhas com referências ao oriente, estão muito presentes entre nós;senão Vejamos: Xangai,Samurai, China, Paulo Chinês...mais algum? Todos eles, sem dúvida, com traços do Oriente.
Esqueci-me de mencionar um exemplo de alguém que é alcunhado devido a uma bácura que deu:
O Álvaro "Setubal de Bucareste"
Tb me lembro do Maturro! Que deve estar de luto, uma vez que faleceu o Camarada Cunhal!!
Não sei pq é que o Orlando nunca teve uma alcunha! Ou será que o seu nome não é Orlando!...
Parabéns!
Mais um excelente artigo neste excelente blog! Tá lindo!
PS: Pi da Volvo é resmenga! Que seja Pi... apenas! O Gordo! Ah o Gordo!
Dá mais uns anitos e vai ser o "Pi da Beatriz Punk" :):):)
Embora o Orlando passe um pouco despercebido a este nível, ele tem também algum historial relativamente a alcunhas. Acho que o carissimo amigo e vizinho não se vai importar que as divulgue.Sei que nos seus tempos do preparatório era conhecido pelo "Azulejo" e pelo "binte oito", esta última devido à sua pronuncia do norte.Hoje imperceptivel.Já em adulto foi baptizado com a alcunha de "Tamboril" (sinceramente não me recordo porquê) e actualmente está a emergir outra; "o ratas" (que é devida aos jogos de futebol). No entanto, relativamente ao "ratas", o ilustre confrade acha-a ofensiva.Vá-se lá saber porquê!
A do Bode posso explicar. Dado que conheci o velho ainda ele era novo (tinha uns 10 ou 11 anos)acompanhei a transformação do Abilio em Bode. Como todas as alcunhas, também o patentear desta foi progressiva e irreversível até á sua substituição. O Bode é Bode ou foi (hoje em dia já poucos lhe chamamos Bode) porque houve uma altura em que o petiz tratava toda a gente por cabeça de bode. Repetia a frase vezes intermináveis durante o dia e ás tantas o feitiço virou-se contra o feiticeiro. Dito de outra forma, ficou ele com a cabeça.
Tema também interessante é o da mutação das alcunhas. Por exemplo, quando encontro o Chicago (com quem trabalhei um ano e não me recordo do nome), dirijo-me sempre a ele e digo "Chica..., tás bom? Imperceptível para qualquer estranho, não?
Um abraço a todos.
Eu também não percebo qual o motivo de tamanha indignação com o "ratas".
Bem sei que não é bonito um gajo agora que tem quase 40 anos ficar a ser conhecido por uns momentos de infelicidade que tem no futebol, mas no caso concreto, as "ratas" já vêm de á uns anos a esta parte , não sendo novidade, tinham era o nome de "frangos".
Lembro-me inclusivamente que houve quem lhe chamasse "Frang'Homme" em homenagem ao grande Preud'Homme.
Já agora, mantém-se a curiosidade relativamente ao "morto"...
Quando eleborei o texto, pensei para os meus botões que os momentos fazem a alcunha, e comprovei-o neste fim de semana.
um destacado amigo, agarrou por um par de horas o "nick" de "tratador".
E tudo porque se disponibilizava em levar sardinhas assadas aos restantes que ansiosamente aguardavam...
Houve tempos em que coisas menores pegaram até hoje...
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